Antes de mais, parece-me importante esclarecer o que se entende por trabalho prático.

Leite (2001:78), com base em Hodson (1988), refere que o conceito de trabalho prático, como um conceito geral que engloba todas as actividades que exigem que o envolvimento do aluno de forma activa, seja psicomotora, cognitiva ou afectivamente, ou seja, abrange: “actividades laboratoriais, trabalhos de campo, actividades de resolução de exercícios ou de problemas de papel e lápis, utilização de um programa informático de simulação, pesquisa de informação na internet, realização de entrevistas a membros da comunidade, etc.”. Assim, o trabalho prático incluiu:

– trabalho laboratorial, que envolve actividades que requerem a utilização de materiais de laboratório, realizando-se num laboratório;

– trabalho de campo, que decorrem ao ar livre, no local onde os fenómenos a estudar ocorrem ou os materiais existem (Pedrinaci, Sequeiros & Garcia, 1992, citados em Leite, 2001);

– trabalho experimental, que envolve o controlo e manipulação de variáveis, podendo ser laboratoriais, de campo ou outro tipo de actividades práticas.

Para uma melhor compreensão segue-se uma figura que esquematiza a relação entre trabalho prático, laboratorial, experimental e de campo:

in Leite (2001:79)

Uma visão reducionista do trabalho prático, foca simplesmente o trabalho experimental, preocupando-se com a medição e controlo de variáveis, enquanto o enfoque, numa visão integracionista, encontra-se no trabalho de campo e no laboratorial, sendo que o experimental surge integrado em ambos.

Posto isto, e considerando que o conhecimento científico pressupõe uma vertente fortemente prática, o trabalho prático deve, nas aulas de ciências, assumir um papel de relevância no processo de ensino-aprendizagem.

Impõe-se, então, questionarmo-nos sobre como conseguir concretizar esta relevância para que esta se traduza em aprendizagens significativas para os alunos.

Não obstante a importância do trabalho prático, a sua potenciação e eficácia, seja ele prático, laboratorial, experimental ou de campo, passa pelo professor. A meu ver, este tem de desempenhar um papel de orientador das actividades práticas, não se limitando à realização de actividades tipo, cujo guião está no livro e que os alunos as possam resolver/desenvolver de forma mecanizada, recorrendo à memorização e não se comprometendo activamente na actividade.

Para tal, é fundamental que o professor tenha bem claro na sua mente o objectivo da actividade em questão, que a pense/prepare meticulosamente e que, obviamente, que adeqúe a avaliação à actividade desenvolvida. Neste sentido, por exemplo: no laboratório é importante pensar seriamente na organização físico-espacial dos laboratórios, bem como, responsabilizar os alunos pelo espaço e pelo material, promovendo neles um sentimento de pertença; ter presente que a resolução de problemas, que surge de questões do quotidiano, não possui algoritmo próprio para a sua resolução nem resposta única considerada cientificamente correcta, envolve, pois, competências diferentes da resolução de exercícios, os quais possuem algoritmo para resolução e uma única solução.

Referência bibliográfica

Leite, Laurinda. (2001). Contributos para uma utilização mais fundamentada do trabalho laboratorial no ensino das ciências. In H. V. Caetano & M. G. Santos (Orgs.), Cadernos Didácticos de Ciências – Volume 1. Lisboa: Ministério da Educação, Departamento do Ensino Secundário (DES), pp. 77-96.

O GIZdigital já escreveu algumas reflexões sobre avaliação, não é pois, novidade todas as dificuldades e, inclusivamente, subjectividades, inerentes ao acto de avaliar.

É com estas dificuldades em mente que o professor deverá trabalhar, preparar e planificar os tempos lectivos.

Curiosamente, se se fizer uma pesquisa rápida num motor de busca, surgem alguns sites com planificações tipo! Confesso que tal utilização não me apraz e tenho alguma dificuldade em entendê-la, pois, se cada aluno tem a sua especificidade, se cada turma é uma determinada realidade, também cada professor, para além de ter de ter em consideração estes aspectos, tem a sua forma singular de trabalhar, organizar e comunicar!!!

A meu ver, um professor conseguirá promover um processo de ensino-aprendizagem tão mais eficaz, quanto maior for o conhecimento que tiver da turma e dos respectivos alunos, quanto maior e mais diferenciado for o seu conhecimento de metodologias e estratégias, quanto mais diversificada for a panóplia de recursos didácticos que lhe são familiares e que estão ao seu dispor e dos seus alunos . Com todo este seu “know-how”, o qual deverá estar em constante construção, desenvolvimento e actualização, o professor deve trabalhar criteriosamente na planificação da(s) aula(s), com o devido enquadramento temático, bem como, reflectir sobre a forma mais adequada de realizar a avaliação, face à planificação delineada.

Seguidamente, partilho a planificação de uma aula laboratorial da componente de Química de 10º Ano de Escolaridade – Análise elementar por via seca (AL 1.2) – enquadrada na Unidade 1: Das estrelas ao átomo.

PLANIFICAÇÃO_Aula laboratorial – AL 1.2

Assim, ao longo desta desta os alunos são avaliados por escrito (através da resposta a questões pré-laboratoriais e pós-laboratoriais), por observação, oralmente (tendo em consideração as suas intervensões, nomeadamente aquando da discussão de resultados), mas também se auto-avaliam.

Analisando esta planificação, penso que, de futuro, será mais proveitoso para o processo de ensino-aprendizagem, na aula anterior à realização da actividade laboratorial em si, o professor faça a abordagem inicial à mesma e que os alunos respondam às questões pré-laboratoriais. Desta forma, o professor poderá tomar consciência que alguma lacuna a aprendizagem e, assim, intervir na aula da realização da actividade, no sentido de a colmatar.

Pois é…do desenvolvimento científico e tecnológico e da persistência audácia de um conjunto de homens e mulheres que – adaptando uma célebre frase de Sir Isaac Newton – se viram mais longe, foi por estarem de pé sobre ombros de gigantes … ocorreu, no CERN, o segundo BIG BANG da história do Universo … pelo menos tanto quanto se sabe  :-) !!!

Não deixe de se informar acerca deste novo grande passo para a ciência e a humanidade! E não se esqueça de envolver os seus alunos nesta conquista do Homem, aproveitando para, simultaneamente, explorar conceitos e conteúdos e promover a discussão de ideias sobre a origem do Universo !!!

Cern recria Big Bang e abre nova era na Física

Gráfico animado: CERN recria Big Bang

Não quero de forma alguma condicionar o vosso precioso tempo livre, nem mesmo condicionar formas de pensar!!… Contudo, acreditando que uma reflexão consciente será tão mais profícua quanto maior e mais variada for a informação e a discussão de ideias, atrevo-me a sugerir o visionamento de um conjunto de debates ou “conversas” sobre Educação e Ensino em Portugal, dinamizadas no programa semanal da SIC Notícias: “Plano Inclinado”, com o jornalista Mário Crespo, como mediador, e um painel fixo com Medida Carreira (ou João Duque) e Nuno Crato.

Para vos facilitar a tarefa, deixo-vos aqui uma lista os mesmos…sempre à distância de um clique :

Plano Inclinado – O Professor Carlos Fiolhais é o convidado deste Plano Inclinado.

(… Como não consigo evitar a parcialidade, tenho de fazer aqui um parêntesis e apelar veementemente ao visionamento deste debate, especialmente, aos professores de Física!!! Primeiro, porque o convidado, Professor Doutor Carlos Fiolhais, é um comunicador como poucos, capaz de expor conteúdos da maior complexidade com a maior das simplicidades e numa linguagem acessível e deixando qualquer público fascinado . . . enfim, põe em prática a verdadeira divulgação cientifica! Segundo, porque demonstra como se pode discutir educação e ensino partindo de uma experiência simples – curiosamente: o plano inclinado – e com vários alguns séculos de existência . . . facto este que é inteligentemente utilizado para estabelecer reflexões pertinentes sobre o ensino na actualidade. Pequenos pormenores fazem a diferença…e este é absolutamente delicioso!!! Por fim, porque, tal como em todos os outros debates aqui indicados, são emitidas ideias e opiniões por pessoas e profissionais da educação e do ensino e, assim sendo, válidos . . . quer se concorde, quer se discorde!!!

Aliás, o apelo é tão forte e a vontade de partilhar ideias urge de tal forma que para assistir ao  respectivo vídeo, basta clicar no PLAY >

Vodpod videos no longer available.

more about “Plano Inclinado com Carlos Fiolhais“, posted with vodpod
espaço

Deixando-vos os links dos restantes programas – cujo interesse no âmbito do debate das ideias sobre o ensino e a educação em Portugal me parece pertinente , de acordo com a ordem de ideias acima referida – fecho agora o parêntesis! . . . )

Ensino Básico e Secundário – Mário Crespo, Henrique Medina Carreira e Nuno Crato convidam a Professora Maria do Carmo Vieira para uma conversa sobre a Educação em Portugal.

Ensino e Ciência – Mário Crespo, João Duque e Nuno Crato convidam a professora universitária Maria de Fátima Bonifácio conversam sobre a preparação e conhecimentos dos alunos universitários.

Ensino Particular VS Ensino Público – Mário Crespo, Henrique Medina Carreira e Nuno Crato convidam Isabel Soares a um debate sobre as diferenças entre o ensino particular e público.

E que tal???

Sustentabilidade Reciclagem Preservação 

Desenvolvimento sustentável

Consumo consciente

Todas estas são palavras sobejamente conhecidas e cujo significado e importância não deixa indiferente qualquer ser cidadão consciente, já que está intimamente relacionado com a conservação do planeta, da natureza, da sociedade …. enfim, de tudo, tal como hoje o conhecemos e nos reconhecemos!

A relevância deste tema é-nos também revelada pela vasta abrangência de público que lhe está afecta, uma vez que trata de assuntos absolutamente transversais a toda a sociedade, não olhando a possíveis sectores fracturantes como os social, cultural, económico, religioso, nacional, etc … mas antes, apelando a uma consciência e consciencialização comuns, à unificação de esforços entre seres humanos, que se querem determinados, activos e actuantes, sob pena de perdermos aquilo que não nos foi dado, mas que herdamos e é de todos … a Terra e toda a sua diversidade.

Não serve este post, para reforçar toda a farta informação que existe sobre este temas e mais abordar várias situações que, no fundo do fundo, têm como mensagem sub-reptícia: pensar no passado para não cometermos os mesmos erros, pensar no presente para usufruirmos dos recursos com inteligência e pensar no futuro para que as próximas gerações possam viver com condições dignas e segurança, senão melhores, pelo menos iguais às actuais.

Serve este post, para tentar descortinar formas de aproveitar este tema tão rico e vasto, nas nossas práticas lectivas, promovendo a formação de cidadãos conscientes dos seus deveres e das suas obrigações e interventivos na sociedade actual, numa escala internacional e multidisciplinar.

A abordagem deste tema em sala de aula pode ser vista como uma verdadeira oportunidade de aprendizagem. Isto decorre da centralidade, transversalidade e actualidade deste tema.

Existem vários documentos disponíveis que podem auxiliar o professor na abordagem ao desenvolvimento sustentável. Aliás, é de relembrar que a década de 2007-2014, na qual nos encontramos, foi declarada como a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DNUEDS) , sendo que, em cada ano é proposto um tema para reflexão.

Pode salientar-se uma série de orientações publicadas pela Direcção-geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC), contendo um conjunto de informações e de propostas de trabalho a desenvolver pelos professores com os seus alunos, e que se enquadra no âmbito da Colecção “Educação para a Cidadania”, nomeadamente:

Guião de Educação Ambiental – conhecer e preservar as florestas

Guião de Educação para a Sustentabilidade: Carta da Terra

Guião de Educação do Consumidor

Guião de Educação para os Direitos Humanos

Decorrente da centralidade, transversalidade e actualidade deste tema, a abordagem do desenvolvimento sustentável em sala de aula deve ser vista pelo professor como uma oportunidade!!!

Uma oportunidade para promover um ensino-aprendizagem articulando conteúdos da disciplina com temas actuais, de impacto sócio-económico, de relevância para uma vivência saudável da cidadania, e cuja abordagem pode ser efectuada numa  perspectiva de CTSA.

Uma oportunidade para planificar uma aula baseada na resolução de problemas, os quais podem derivar de uma notícia ou acontecimento e desenvolver a discussão de ideias. É, pois, uma oportunidade primordial para desenvolver a aula em torno de uma questão-problema.

Uma oportunidade de colocar o aluno no centro da aula, para que este assuma um papel activo na construção do seu conhecimento, partindo de temas lhe são conhecidos e que, possivelmente, se sente relativamente à vontade para expor e debater.

Uma oportunidade de desenvolver a multi e interdisciplinaridade curricular e, inclusivamente, dinamizar um projecto capaz de envolver toda a comunidade educativa.

Durante todo este processo de ensino-aprendizagem, o professor deve ter em mente a preocupação de fomentar nos alunos um sentimento de cidadania consciente, de os responsabilizar  para a situação do meio ambiente e de os sensabilizar para a participação em acções cívicas (como a “Limpar Portugal“) ou em simples acções de cidadania, mesmo, a viverem de acordo com a política dos RRR: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e de um consumo responsável.

Partilha: Grelha de Observação . . . uma das ferramentas do professor!!

Antes de mais, e tendo em consideração que o tema deste post e uma perspectiva de colaboração, cooperação e de desenvolvimento de materiais cada vez mais adequados à realidade e às exigências da docência, disponibilizo-vos aqui algumas grelhas de observação para efectuar determinados registos a ter em consideração aquando da avaliação:

Grelha de Observação em Aula Prática

 

Depois de as visualizarem e de pensarem um pouco sobre elas…escrevam o vosso feedback com GIZdigital!

A crítica construtiva é sempre bem-vinda!!!

ESPAÇO

 

Reflexão: Avaliação na sala de aula . . . o início ou o fim da aprendizagem???

Reflectir sobre a avaliação das aprendizagens não é tarefa fácil, pois, muito embora seja uma das questões centrais no processo ensino aprendizagem, não é consensual.

Penso que, ao iniciar uma reflexão sobre avaliação das aprendizagens, é importante questionar o acto de avaliar!

O que é avaliar? Como avaliar? Qual ou quais as razões para avaliar? O que se avalia? Que conclusões retirar do que se avalia? A avaliação funciona como um começo ou como uma meta?

Ou, questões de natureza mais específica ou prática: O que avaliar e/ou como avaliar, por exemplo, a compreensão que um dado conteúdo da Física ou da Química, quando o problema reside num fraco entendimento de um ou mais conteúdos de Matemática?

Estas serão, com certeza, apenas algumas questões num mar de tantas outras que se poderiam fazer sobre este tema.

Podemos sempre recorrer à legislação para procurar respostas:

Avaliação Ensino Básico

Avaliação Ensino Secundário

… mas encontraremos apenas linhas orientadoras, as respostas, essas apenas surgirão através da reflexão e, possivelmente, nunca serão alcançadas, pelo simples facto de, muito embora os conteúdos do ponto de vista científico não mudem, a forma como se “relacionam” com a sociedade está em constante mudança, assim como, aqueles a quem nós queremos ensinar.

Actualmente, parece-me que vigora ainda o ensino tradicional e, por consequência, a avaliação tradicional, isto é, o professor debita os conteúdos – muitas vezes pensando, erroneamente que está a promover a interacção e a discussão de ideias na sala de aula – e o aluno preocupa-se em conseguir reproduzir esses mesmos conteúdos, sempre que é questionado oralmente, mas, principalmente, por escrito. Este processo, no qual o aluno não toma  uma posição activa na construção do seu conhecimento, pode ( e deve!!) levar-nos a parar e pensar, ao invés de voltar a “repetir a mesma receita” …

… Sendo assim, com que objectivo se ensina? Será que se procura o desenvolvimento de competências de aprendizagem ou de competências de memorização?

E no caso particular de um professor de Física e Química?!… Para este, o objecto de estudo está em constante mudança e permite estabelecer uma forte interacção com o meio, pelo que a função do espaço “sala de aula” não se esgota num espaço discussão teórica dos fenómenos naturais, mas, que se deve preocupar em ultrapassar este âmbito e tratar os assuntos de forma mais prática, indo de encontro ao quotidiano dos alunos.

Com isto em mente, impõe-se as questões:

Será que uma avaliação que visa, sobretudo, o aproveitamento em provas de avaliação escrita é capaz de aferir todas as competências que têm de ser desenvolvidas no domínio abrangente destas disciplinas?

Será a avaliação realizada capaz de valorizar o processo de aprendizagem ou uma tentativa do professor em minorar a subjectividade do acto de avaliar?

Estará o professor a formar ou a seleccionar?

Para um professor interessado em que os alunos efectuem uma aprendizagem significativa dos conteúdos, parece-me que a avaliação formativa adquire um papel de grande relevância, sobretudo se for regular/periódica. Assim, poder-se-á numa primeira fase diagnosticar, no decorrer da aprendizagem pode-se clarificar e reajustar e, numa fase final, pode fazer-se o balanço das aprendizagens e retirar conclusões sobre todo o processo de ensino-aprendizagem. Eis uma forma de tentar garantir que a aprendizagem não seja o armazenamento de definições, fórmulas e conceitos, mas sim um processo gradual, no qual a detecção do erro e da sua causa, assumem um papel de suma importância e da qual podem advir indicações valiosas sobre a melhor forma para reorientar a sua forma de ensinar. Parece-me que também é importante que o próprio aluno seja parte interveniente e consciente de todo este processo, conseguindo-se, assim, que este tenha um papel mais activo, construtivo e de auto-regulação no seu acto de aprender e, sendo este um processo individual, não deixa de ser uma forma de diferenciar o ensino.

Uma outra questão que se coloca, prende-se com a avaliação sumativa. Esta pode ser entendida, também, como uma avaliação formativa, na medida em que possibilita um reajuste do ensino à aprendizagem dos alunos.

Não obstante, parece-me que, regra geral, esta é a vertente da avaliação na qual recai a atenção dos professores e, consequentemente, dos alunos. É nela, mais propriamente, nos instrumentos: testes de avaliação sumativa, onde incide a maior percentagem da avaliação global, não tendo, necessariamente, preocupações de reorientar mas, sobretudo, de classificar e/ou promover a hierarquização. A meu ver, actualmente avalia-se muito à luz de uma avaliação criterial, e menos à luz de uma avaliação normativa (Avaliação Criterial/Avaliação Normativa).

Qual a razão da predominância dos testes avaliativos como forma de avaliação?

Alguns, dos quais, confesso, apenas me descartei há relativamente pouco tempo, justificariam tal facto com a existência de um exame nacional! Todavia, não é necessário muito esforço mental para perceber que esta, dificilmente, será a única explicação, até porque não há exame nacional em todos os anos de escolaridade.

Para além disto, se atendermos aos resultados do ciclo do PISA 2006, cujo enfoque foi fundamentalmente nas ciências e no qual se testou o nível de literacia dos alunos neste domínio, ou seja, a capacidade destes em aplicar conhecimentos, bem como, analisar, raciocinar e comunicar com eficiência, à medida que se vão colocando, resolvendo e interpretando problemas numa variedade de situações concretas, verifica-se que a prestação dos alunos portugueses ficou acima da média para os alunos do ensino secundário, mas abaixo da média para os alunos do ensino básico.

Penso que há alguma resistência em mudar, inovar e fazer diferente. Subjacente a isto poderá estar, eventualmente, o receio, por parte dos próprios professores, em não seguir o melhor caminho e, como tal, falhar! . . . Sim, porque um professor também está sujeito a avaliação explícita e implícita.

De facto, todos somos avaliados, é algo inerente à sociedade . . . Enquanto professores, não nos podemos que a avaliação escolar pode também ter uma vertente social e individual, que muitas vezes é descurada e que pode ser de extrema importância para a construção de um cidadão (talvez seja interessante ler a entrevista a Charles Hadji).

Em jeito de conclusão . . . mas não concluindo, pois esta reflexão está longe de se esgotar aqui . . .  é-me mais fácil aceitar a avaliação como início de uma aprendizagem, que se quer verdadeira e significativa, ao invés de a considerar um ponto final coincidente com o final da leccionação de um conjunto de conteúdos.

Na condição de aluna do Mestrado em Didáctica, eis chegada a hora de começar a definir o assunto a tratar naquele que será o culminar o curso de mestrado: o trabalho de investigação.

Curiosamente, o simples facto de tentar clarificar o tema ou assunto a tratar, pode conduzir a uma actividade de “brainstorm” profunda . . . mas que se espera fecunda.

Emergem várias interrogações . . .

… Qual a temática que gostaria de abordar?

… Qual o assunto que melhor contribuirá para o meu desenvolvimento, quer profissional, quer pessoalmente?

… Em que medida é que a práticas diária da docência e as suas actividades envolventes se podem articular, realmente, como um projecto de investigação?

Provavelmente todas estas interrogações são bastante intuitivas ou imediatas, pelo que a novidade a elas inerente será pouca, ou mesmo, nenhuma. Contudo, não se deve descurar o denominador que as eleva no nível de singularidade, ou seja, a subjectividade individual – nomeadamente no que se prende com áreas de conhecimento preferenciais, a especificidade do local de trabalho, recurso disponíveis e, bastante importante, se como as respostas a estas perguntas acarretam mais-valias à construção de um projecto maior que é uma carreira docente coerente, profícua e útil, enquanto indivídua, cidadã e profissional.

O estabelecimento de ensino onde lecciono tem um papel bastante activo no que se refere à participação e desenvolvimento de múltiplos projectos, quer destinados à própria comunidade escolar, quer a nível nacional e internacional. Não tenho ficado alheia a toda esta actividade, tendo já realizado e dinamizado algumas actividades no âmbito da Física e da Química, sempre com o envolvimento dos alunos, e participado numa formação para professores em CLIL – Content and Language Integrated Learning, no âmbito do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, a qual me abriu os olhos para novos horizontes, levando-me mesmo a crer que o ensino, mais cedo ou mais tarde, passará a ser encarado como um domínio internacional, ao invés de nacional, bem como, valorizará interdisciplinaridade, de forma a formar cidadãos conscientes e mais preparados para os desafios a sociedade e o mundo actuais lhes colocam.

Se se atender a algumas das políticas e actividades dinamizadas pela União Europeia, estas ideias serão reforçadas, pois, com certeza, não passarão despercebidos os vários incentivos na área da Educação, no que concerne à formação de professores e jovens, através de vários programas, muitos dos quais subsidiados.

Possivelmente, esta conjuntura não é alheia ao facto de, actualmente, se começar a introduzir na educação uma dimensão mais “europeísta”, de acordo com a qual o professor se deve assumir-se cada vez como um “professor europeu” e direccionada no sentido de formar cidadãos europeus.

Pelo exposto, uma investigação sobre estes tipos de projectos, sejam internacionais, sejam interdisciplinares, ou mesmo que a articulação entre ambos, parece-me aliciante e pertinente, já que uma temática na qual se estão a dar os primeiros passos, mas que num futuro próximo, poderá influenciar a formação de professores. Para além disto, a exploração desta temática e o seu “outcome”, trarão mais-valias que poderão ser igualmente desfruídas por mim e pela instituição na qual desenvolvo a minha actividade docente.

São ainda muitas as considerações, pesquisas e reflexões a fazer … mas já transpus algumas barreiras, já encontrei um rumo!

Boas!!!

Confesso que “construir” um blog não era algo que estivesse  agendado nos meus afazeres a curto/médio prazo. . . contudo, considerando a realidade virtual que se vive actualmente, parece-me uma tarefa inevitável!

Todavia, encontro-me nesta fase numa “luta” pessoal com o GIZdigital, de tal forma que, neste momento, esta tarefa se assemelha mais a um bicho-de-sete-cabeças!!! Pensando noutras possíveis lutas “Autor vs Blog” que possam estar a ocorrer no cyberespaço, resolvi deixar à distância de um clique aquele que tem sido o meu guia de ajuda!

Assim, e embora esteja consciente do meu estado embrionário no que diz respeito ao “como fazer um blog”, encaro este projecto como um desafio que, pé ante pé, ganhe coerência, consistência, articulação e interesse (desculpem a ambição!!:-p). Hei-de vencer este bicho-de-sete-cabeças!!!

Chamo-me Joana e sou Professora de Ciências Físico-Químicas. Actualmente, sou, simultaneamente aluna.

Encontro-me a frequentar o Mestrado em Didática, na área de especialização em Ciências – Ramo para Professores do 3º CEB/Secundário de Física e Química, na Universidade de Aveiro.

Este GIZdigital – Pensar Educação em Ciências, enquadra-se, precisamente, no âmbito de uma das unidades curriculares deste curso de Mestrado, a saber: Didáctica e Desenvolvimento Curricular da Física e da Química II.

Espero que este seja mais um espaço válido de partilha, troca de ideias e debate sobre a grande palete de “incógnitas” que surgem dentro e fora da sala de aula.

Façamos com que a reflexão, individual e conjunta, a colaboração e a cooperação sejam vectores orientadores das nossas práticas didácticas, enquanto personagens activas na Educação.

GIZdigital é, pois, mais uma ferramenta com a qual acredito que possamos escrever um possível rumo na forma como se faz, vê e pensa Educação, sobretudo em ciências!

O convite está feito!

O desafio está lançado!

Agora, atreva-se a escrever com GIZdigital . . . porque, quando se pensa educação em ciências: toda a opinião é válida, toda a ideia é uma mais-valia e toda a experiência é enriquecedora!